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LUSÓFONOS NAS ELEIÇÕES DO IPC

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Dia oito deste mês (Setembro) será particularmente importante para a comunidade de países de língua portuguesa (CPLP) e o motivo: a participação do angolano Leonel da Rocha Pinto e do brasileiro Andrew Parsons na eleição do Comité Paralímpico Internacional (IPC), em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos).

Na verdade, o magno encontro inicia com uma conferência (05 e 06), seguindo-se a Assembleia Geral (07 e 08), onde Leonel Pinto, na condição de presidente do Comité Paralímpico Africano (APC-sigla em inglês) concorrerá a uma das 12 vagas dos executivos da instituição mundial, enquanto Andrew Parsons a presidente do órgão, em substituição do britânico Philip Craven.

QUEM SÃO E O QUE O MUNDO GANHARÁ COM SUA ELEIÇÃO?

Leonel da Rocha Pinto é um dirigente desportivo que lidera o Comité Paralímpico Angolano (CPA) desde 1996, tendo sido eleito presidente do Comité Paralímpico Africano em 2010, assumindo já três mandatos (2010/2012, 2012/2016 e 2016/2020).

Seu primeiro grande feito em defesa do desporto adaptado influenciou a África e o mundo, quando em 1999, durante os Jogos Pan-africanos, em Joanesburgo (África do Sul) interveio para que os atletas adaptados obtivessem o direito a medalhas e a subida ao pódio.

Por via daquela acção, o Conselho Superior dos Desportos em África (CSSA) aboliu a diferença de tratamento entre atletas olímpicos e paralímpicos, dando-se ao inicio a uma “revolução” desportiva que colocou Angola e o continente berço da humanidade entre a “elite” do movimento paralímpico mundial.

Em 21 anos de liderança da organização nacional, a parte mais visível do seu trabalho desponta no facto do desporto adaptado ter se tornado referência africana e mundial.

Contam-se já seis participações consecutivas com o atletismo em Jogos Paralímpicos com três subidas ao pódio (Atenas`2004, Pequim`2008, e Londres`2012). Angola é vice-campeã do mundo em futebol com muletas (México`2014), além de outras tantas conquistas em atletismo, natação e basquetebol em cadeira de rodas.

Em África elevou para 48 o número de associados (encontrou 20), estabeleceu parcerias com instituições internacionais com prioridade para a formação ao nível do treinamento e de formadores.

Revolucionou a comunicação através das novas tecnologias e desenvolve uma campanha de sensibilização dentro e fora de África para um olhar diferente ao desporto adaptado, por via da adequação da legislação jurídico – desportiva.

Por força do seu trabalho tem sido reconhecido pelo Comité Paralínpico Internacional. Na estreia de Angola nos Jogos Paralímpicos (Atlanta1996), foi lhe atribuído a Medalha Família Paralímpica.

Ainda o reconhecimento do Conselho Superior do Desporto em África (CSSA) durante os Jogos Pan-africanos em 1999, na África do Sul, e Medalha de Mérito nos Jogos Paralmpicos de Sidney, em 2000.

Obteve o Diploma do Comité Olímpico Internacional pelo reconhecimento ao voluntarismo no fomento do desporto em 2001, eleito melhor dirigente desportivo do ano em 2000 (votação feita por via de um Jornal Especializado em Desporto) e figura do ano, consecutivamente, em 2004 e 2005 por uma Rádio especializada em desporto.

Leonel Pinto também foi reconhecido (em 2001) pelo Comité Olímpico Internacional (COI) com diploma de mérito por seu voluntarismo no fomento do desporto adaptado.

Já o carioca Andrew Parsons notabiliza-se pela sua vasta experiência no movimento paralímpico brasileiro, onde até então ocupava o cargo de presidente. É, também, membro do conselho de administração do IPC.

Em seu programa eleitoral, o candidato da lusofonia garante uma nova era para o Movimento Paralímpico, uma organização mais inclusiva que compreenda e aborde as diferentes necessidades de seus filiados e forneça as ferramentas certas para ajudar a criar e desenvolver membros emergentes.

Caso seja eleito, Parsons promete criar um Caminho de desenvolvimento de membros que seja flexível e adaptado às necessidades locais - seja um Comitê Paralímpico Nacional (NPC), Federação Internacional (IF), IOSD ou organização regional, estando sempre o atleta no centro das atenções.

Diz que concentrará esforços na construção de um modelo de marketing revitalizado para o movimento paralímpico, explorando e garantindo mais acordos de patrocínio e o aprofundamento do relacionamento com as médias.

A criação dos Jogos da Juventude é igualmente prioridade para o falante da língua portuguesa. Com efeito, em caso de vitória no pleito de dia oito, irá propor que a questão seja já debatida ao nível do IPC já no primeiro semestre de 2018.

Na corrida à presidência estão, além de Andrew Parsons (presidente até então do Comité Paralímpico Brasileiro), Patrick Jarvis (presidente cessante do Comité Paralímpico do Canadá), o dinamarquês John Petersson (ex-líder do Comité Paralímpico Europeu) e Haidi Zhang (presidia a Federação Chinesa para Pessoas Com Deficiência).

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